FALA RÁPIDA ou FALAR RÁPIDO

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TAQUIFEMIA

O que é

o_que_e_1.jpgQueixas típicas de pessoas que convivem com alguém que apresenta taquifemia são:
       • “Ele fala tão rápido que não dá pra entender”.
       • “Ele fala muito rápido e come as palavras”.

A taquifemia é um distúrbio de fluência. A fluência é a habilidade responsável pela continuidade e pelo fluxo da fala. A taquifemia compromete a fluência principalmente em relação ao ritmo da fala (“velocidade” e pausas) e à organização da mensagem.

A existência da taquifemia ainda é amplamente ignorada por muitos profissionais da área de saúde.

Sintomas

Os sintomas obrigatórios para o diagnóstico de taquifemia incluem:
       1. Falar rápido demais (“velocidade” rápida de fala);
       2. Poucas pausas silenciosas;
       3. Excesso de hesitações/disfluências comuns. As hesitações comuns incluem pausas silenciosas hesitativas (pausas em posições não esperadas), pausas preenchidas (“éh”, “ãh”, “mm”), repetições de palavras, alongamentos em final de palavra e falsos inícios (quando a pessoa se corrige).
       4. Pouca percepção das dificuldades de fala.

Outros sintomas também podem ocorrer, mas não são obrigatórios para o diagnóstico:
       5. Melhora na fluência quando a pessoa é instruída a falar mais lento e a se concentrar;
       6. Excesso de reformulações (correções e paráfrases);
       7. Alterações na articulação dos “sons da fala”. É possível que alguns sons pareçam “distorcidos”, “apagados” ou “substituídos”;
       8. Dificuldade para encontrar as palavras durante a fala (acesso lexical);
       9. Vocabulário reduzido;
       10. Discurso confuso ou prolixo;
       11. Dificuldades para entender o que lê.

Incidência

Até o momento, não existem estatísticas sobre a porcentagem da população com taquifemia.

A taquifemia ocorre quatro vezes mais em homens do que em mulheres.

Causas

A maioria das pessoas com taquifemia refere outros familiares que também apresentam fala rápida (pais, irmãos, tios, primos e/ou avós). Desta forma, há indícios de que a taquifemia seja transmitida geneticamente de geração em geração.

As mutações genéticas relacionadas à taquifemia ocasionariam mau funcionamento de áreas do cérebro relacionadas à fala e, principalmente, ao ritmo da fala.

Diagnóstico diferencial

interacao.jpgTaquilalia: a fala rápida é o único sintoma. Falar rápido não é problema desde que não afete a inteligibilidade da mensagem, isto é, a compreensão da mensagem pelo interlocutor. Quando a pessoa é freqüentemente solicitada a repetir o que falou, porque os interlocutores não compreenderam, é possível ser um caso de taquilalia.

Comorbidades (distúrbios que podem estar associados)

Gagueira: é o distúrbio mais comum de fluência. Ocorrem sintomas como repetições (de “sons”, sílabas ou de palavras monossilábicas), alongamentos e bloqueios de “sons”. Os sintomas ocorrem devido à dificuldade para passar para o próximo segmento da fala. Pode ser causada por herança genética ou por lesão cerebral. Ocorre quatro vezes mais em homens do que em mulheres. A taquifemia geralmente ocorre em conjunto com a gagueira. 35% das pessoas com gagueira também apresentam taquifemia.

Transtorno de aprendizagem: é um termo genérico que se refere a dificuldades na aquisição e no uso da leitura, escrita e/ou matemática. O desempenho nessas áreas não é compatível com a idade cronológica, com a inteligência e com a escolaridade da pessoa. As dificuldades com leitura, escrita e/ou matemática interferem de forma importante no dia-a-dia. Aproximadamente 5% das crianças apresentam transtorno de aprendizagem. Ocorre quatro vezes mais em homens do que em mulheres. Em torno de 20% das pessoas com transtorno de aprendizagem também apresentam TDAHI (ver abaixo). O diagnóstico de transtorno de leitura e escrita é feito pelo fonoaudiólogo. O diagnóstico de transtorno de matemática é feito pelo psicólogo ou psicopedagogo.

Transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e/ou impulsividade (TDAHI): a pessoa apresenta dificuldades com atenção (esquece coisas, faz erros por descuido, tem dificuldade para se concentrar, distrai-se facilmente, etc.), com o grau de atividade corporal (é muito inquieta, movimenta-se excessivamente, fala muito, etc.) e/ou com o controle de impulsos (interrompe os outros com freqüência, intromete-se em conversações, faz as coisas sem pensar, etc.). É necessário haver um mínimo de sintomas em pelo menos duas áreas da vida (em casa, na escola ou no trabalho) e por pelo menos 6 meses para que o diagnóstico possa ser estabelecido. O TDAHI acomete aproximadamente 3% da população, ocorrendo quatro vezes mais em homens do que em mulheres. Há evidências de ser transmitido geneticamente. Em torno de 30% das pessoas com TDAHI também apresentam transtorno de aprendizagem. O diagnóstico de TDAHI é feito pelo neurologista, psiquiatra ou psicólogo.

Avaliação fonoaudiológica

A avaliação da taquifemia na clínica da Linguagem Direta é composta por:

Anamnese: informações sobre o início dos sintomas e como foram se desenvolvendo são imprescindíveis. Também é importante saber sobre outros membros da família que também falam rápido ou que gaguejam. Além disso, informações sobre o desenvolvimento neuropsicomotor (idade em que começou a andar, a falar, a mastigar, a ler e a escrever) são úteis para avaliar o ritmo do desenvolvimento.

fala.jpgAvaliação propriamente dita: são colhidas amostras de fala em situação de repetição de palavras, repetição de frases, fala semi-espontânea e leitura em voz alta. As amostras são analisadas em termos de “velocidade de fala”, pausas silenciosas, freqüência e tipologia de hesitações/disfluências, coordenação entre respiração e fala, articulação dos “sons de fala”. A fala semi-espontânea também é analisada em relação à estruturação textual (habilidade para descrever, narrar e argumentar). Quando necessário, também incluímos avaliação específica de compreensão de fala, vocabulário, leitura, escrita e audição.

Encaminhamentos: se necessário, o paciente também pode ser encaminhado para avaliações complementares com outros profissionais de saúde (geralmente neurologista, psiquiatra ou psicólogo).

Tratamento fonoaudiológico

O tratamento para taquifemia na clínica da Linguagem Direta geralmente apresenta as seguintes metas:

Melhora da percepção da própria fala: é de importância crucial para as pessoas com taquifemia. Muitos pacientes não estão nem remotamente conscientes de como é sua fala. Diversas estratégias podem ser utilizadas: esclarecimentos sobre os sintomas da taquifemia, ouvir gravações da própria fala, variar voluntariamente a “velocidade de fala”, observar-se em situações específicas do dia-a-dia.

devagar_1.jpgDiminuição da “velocidade de fala” e aumento de pausas silenciosas: também é de importância crucial para as pessoas com taquifemia. O paciente é instruído a voluntariamente diminuir sua “velocidade de fala”, articulando com clareza todas as sílabas das palavras. Além disso, é instruído a fazer pausas silenciosas em posições lingüisticamente relevantes. São utilizados diversos estímulos na terapia, tais como: repetição de palavras longas, repetição de frases, respostas a perguntas, leitura em voz alta, narrativa de cartoons, relatos pessoais.

Melhora da articulação dos “sons de fala”: quando as alterações articulatórias são estritamente devidas ao aumento da “velocidade de fala”, melhoram automaticamente com a diminuição da “velocidade”. Quando este não for o caso (por exemplo, quando ocorrem “trocas de sons”), é necessário melhorar a percepção auditiva para os “sons trocados”, aprimorar a consciência fonológica desses “sons” e, por último, focar a produção dos “sons” propriamente ditos.

Aprimoramento do vocabulário: são utilizados jogos de campos semânticos específicos para melhorar o vocabulário. A leitura de materiais que envolvam tais campos semânticos também é recomendada.

Encontrar palavras durante a fala (acesso lexical): a diminuição da “velocidade de fala” e o aumento de pausas silenciosas geralmente melhoram o acesso lexical durante a fala espontânea. Quando isso não é suficiente, lançamos mão de estratégias para reforçar as conexões entre palavras no “dicionário mental”. São realizadas atividades que eliciam palavras do mesmo campo semântico, palavras com vários significados (polissemia), sinônimos, antônimos.

leitura.jpgAprimoramento das habilidades textual-discursivas: são utilizadas histórias em quadrinho sem texto (cartoons) para aprimorar as habilidades de descrição, narrativa e argumentação.

Hesitações/disfluências comuns e reformulações: a diminuição da “velocidade de fala”, o aumento no número de pausas silenciosas e o aprimoramento do vocabulário, do acesso lexical e das habilidades discursivas promovem a diminuição no número de hesitações/disfluências e de reformulações na fala espontânea.

Leitura: em diversos casos, a diminuição da “velocidade de fala” auxilia na compreensão do texto lido. Entretanto, alguns pacientes apresentam dificuldades intrínsecas de leitura. Se o comprometimento for na rota lexical, haverá maior dificuldade para ler palavras irregulares. Se o comprometimento for na rota fonológica, haverá maior dificuldade para ler palavras novas ou não-palavras. Neste caso, o paciente será encaminhado para fonoaudiólogo especializado em leitura e escrita.

Referências:

St.  Louis, K. O. & Myers, F. L. (1997). Management of cluttering and related fluency disorders. In: Curlee, R. F. & Siegel, G. M. (eds). Nature and Treatment of Stuttering: New Directions. 2nd ed. Boston: Allyn and Bacon. pp. 313-332.

St. Louis, K. O.; Raphael, L. J.; Myers, F. L. & Bakker, K. (2003). Cluttering updated. The ASHA Leader, pp. 4-5.

Atendimentos clínicos

Dias de atendimento para pacientes com taquifemia:
- Quintas-feiras, das 11 às 21 horas
- Sábados, das 8 às 18 horas

Atendimentos clínicos:
- Uma sessão por semana, com duração de 50 minutos. É o nosso programa padrão.
- Duas sessões por semana, com duração de 50 minutos. Indicado para pacientes que desejam obter resultados mais rapidamente.
- Uma sessão a cada duas semanas, com duração de 70 minutos. Indicado para pacientes que não residem na Grande São Paulo.

Visite também:

- Instituto Brasileiro de Fluência (IBF)

- International Cluttering Association


Texto escrito por:

Sandra Merlo, fonoaudióloga especializada em Distúrbios da Fluência.
Vivência pessoal com a gagueira.
Graduação em Fonoaudiologia pela USP.
Mestrado em Lingüística (Fonética/Fonologia) pela UNICAMP.
Membro da Comissão Organizadora Nacional do "Dia Internacional de Atenção à Gagueira".
Fundadora e diretora científica do "Instituto Brasileiro de Fluência".
Fundadora da "Associação Brasileira de Gagueira"; presidente de 2004-2006.
Publicação de artigos em periódicos nacionais e internacionais.
Participação em congressos, cursos, palestras e grupos de discussão.


AVISO: O conteúdo aqui apresentado é dirigido ao público leigo. Diversos termos técnico-científicos foram substituídos por termos leigos para facilitar a leitura. Portanto, este texto não deve ser tomado como referência para pesquisas científicas.

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