FALA RÁPIDA ou FALAR RÁPIDO

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TAQUILALIA

foto_8.jpgÉ a fala rápida pura. A taquilalia somente é diagnosticada quando a velocidade de fala é muito acelerada, a ponto de fazer com que o ouvinte não consiga compreender o que está sendo dito. A taquilalia tanto pode ocorrer isoladamente, quanto em conjunto com a gagueira. Por isso, o diagnóstico diferencial é imprescindível.

Causas

Existem fortes evidências de predisposição genética, porque a maioria das pessoas com taquilalia possui outros familiares com o mesmo distúrbio de fluência.

Também existem evidências da ação da pressão de tempo, uma sensação subjetiva para iniciar, continuar e terminar rapidamente a fala.

Tratamento

O tratamento é bastante simples. A diminuição da pressão de tempo é trabalhada através de:

1) Exercícios

- Relaxamentos e alongamentos

Relaxamentos e alongamentos específicos para lábios, língua, pescoço e ombros auxiliam na percepção da sensação de urgência para falar (pressão de tempo) através do contraste de uma sensação relaxada com a sensação de urgência.

- Prática negativa

Consiste em falar palavras isoladas e frases em velocidades diferentes: rápida, média e lenta. O objetivo da prática negativa é fazer com que o paciente aprenda a perceber variações de velocidade de fala.

2) Técnicas de fala

- Diminuição da velocidade de fala

Para aprender a falar mais devagar, a pessoa com taquilalia precisa:

  • Perceber as variações de velocidade em sua fala e na fala de outras pessoas;
  • Treinar a diminuição da velocidade de fala na leitura e na fala espontânea. No início, a diminuição da velocidade de fala é voluntária, mas, com o treino, vai se tornando cada vez mais automática.

- Aumento no uso de pausas silenciosas

Se as pausas forem muito numerosas, muito freqüentes ou muito longas, a fala também vai soar pouco fluente. Por isso, o treino é organizado para que a pessoa aprenda a utilizar mais pausas na fala, mas em quantidade, freqüência e duração adequadas.


TAQUIFEMIA (cluttering, em inglês)

É a fala rápida associada a diversas hesitações comuns (sons como "éh" e "ãh", repetições de palavras, prolongamentos finais, falsos inícios). Também podem ocorrer outras dificuldades, como: trocas de sons na fala ou letras na escrita, dificuldades para ler, discurso confuso, dificuldades para prestar atenção ao que está falando, agitação.

A pessoa geralmente não está consciente de seu distúrbio de fluência.

Os casos de taquifemia pura são raros. O mais comum é a foto_9.jpgtaquifemia em conjunto com a gagueira. Aproximadamente 30% das pessoas que gaguejam também apresentam taquifemia; nestes casos, geralmente a taquifemia deve ser tratada antes da gagueira. Por isso, o diagnóstico diferencial é imprescindível.

Causas

Existem fortes evidências de predisposição genética, porque a maioria das pessoas com taquifemia possui outros familiares com taquifemia ou taquilalia.

Além disso, a pressão de tempo também parece ser um fator importante.

Outras causas (neurofisiológicas, lingüísticas e ambientais) ainda estão sendo estudadas.

Tratamento

1) Exercícios e técnicas de fala

- Relaxamentos, alongamentos, prática negativa, redução da velocidade de fala e o aumento no uso de pausas

É o foco principal do tratamento para taquifemia (ver acima sobre tratamento da taquilalia).

2) Outros exercícios

Além disso, são tratados os outros sintomas associados:

- Troca de sons na fala e/ou letras na escrita

foto_10.jpgInicialmente são realizadas tarefas de discriminação auditiva, a fim de checar se o paciente discrimina adequadamente os sons ou as letras que troca (p. ex., "b" versus "p"). Em seguida, são realizadas atividades que induzam o contraste de cada som ou letra (p. ex., "bote" versus "pote"). Por último, treina-se a emissão falada ou escrita.

- Discurso confuso

O discurso confuso geralmente é resultado de dificuldades com descrição, narrativa e/ou argumentação. Inicialmente são utilizados cartoons para apoiar a produção verbal. Em seguida, passa-se para a produção de textos na fala espontânea.

- Dificuldade de atenção, agitação e/ou impulsividade

Quando são detectadas dificuldades importantes com atenção, agitação e/ou impulsividade, o paciente é encaminhado para um psicólogo ou psiquiatra para avaliar a possível existência de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAHI).

Texto escrito por:

Sandra Merlo, fonoaudióloga especializada em Distúrbios da Fluência.
Vivência pessoal com a gagueira.
Graduação em Fonoaudiologia pela USP.
Mestrado em Lingüística (Fonética/Fonologia) pela UNICAMP.
Membro da Comissão Organizadora Nacional do "Dia Internacional de Atenção à Gagueira".
Fundadora e diretora científica do "Instituto Brasileiro de Fluência".
Fundadora da "Associação Brasileira de Gagueira"; presidente de 2004-2006.
Publicação de artigos em periódicos nacionais e internacionais.
Participação em congressos, cursos, palestras e grupos de discussão.

AVISO: O conteúdo aqui apresentado é dirigido ao público leigo. Diversos termos técnico-científicos foram substituídos por termos leigos para facilitar a leitura. Portanto, este texto não deve ser tomado como referência para pesquisas científicas.

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